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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Catecismo, a resposta as dúvidas




Esse texto faz  parte de um artigo encontrado em 
http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=476 

Dom Estêvão Bettencourt

Examinaremos dez assuntos de interesse candente.
 O Ser Humano
De acordo com toda a Tradição, o Catecismo ensina que o homem consta de corpo (material) e alma (espiritual); são realidades distintas uma da outra, que se unem entre si para formar o ser uno que é o homem.
"A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser corporal e espiritual" (§ 362).
"Não raro o termo alma designa na Sagrada Escritura a vida humana ou toda a pessoa humana. Mas designa também o que há de mais íntimo no homem e de mais valioso, designa aquilo por que o homem é mais particularmente imagem de Deus: 'alma' significa o princípio espiritual no homem" (§ 363).
"A Igreja ensina que cada alma espiritual é imediatamente criada por Deus - não é 'produzida' pelos pais -; Ela ensina também que a alma é imortal; não perece quando se separa do corpo na morte, e se unirá de novo ao corpo por ocasião da ressurreição final" (§ 366).
A distinção de corpo e alma aqui professada nada tem que ver com dualismo. Este implica antagonismo ontológico entre dois elementos (um seria por si bom, o outro por si mau); isto não é cristão. Para escapar do dualismo, não há necessidade de recorrer ao monismo; entre dualismo e monismo existe a dualidade, que é a distinção de dois elementos entre si, sem implicar antagonismo; tal é o caso de corpo e alma.
 O Pecado Original
O texto afirma a elevação dos primeiros pais à justiça original ou a um estado de riqueza espiritual, que devia ser confirmado pela livre aceitação do homem. Submetido a uma prova (simbolicamente expressa pela proibição de comer de uma fruta), o homem disse Não ao dom de Deus. Conseqüentemente perdeu os dons originais e os seus descendentes nascem privados de tais dons, sentindo em si as conseqüências do pecado (a desordem das paixões, o sofrimento e a morte como arranco doloroso).— Eis os textos do Catecismo:
"O homem não somente foi criado bom, mas foi constituído em amizade com o seu Criador e harmonia consigo mesmo e com as criaturas que o cercavam..." (§ 374).
"A Igreja, interpretando de modo autêntico o simbolismo da linguagem bíblica à luz do Novo Testamento e da Tradição, ensina que nossos primeiros pais Adão e Eva foram constituídos num estado de santidade e justiça original. Esta graça da santidade original era uma 'participação da vida divina' " (§ 375).
"Pela irradiação dessa graça, todas as dimensões da vida do homem foram reconfortadas. Enquanto permanecia na intimidade com Deus, o homem não devia morrer (cf. Gn 2,17; 3,19) nem sofrer (cf. Gn 3,16). A harmonia íntima da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher (cf. Gn 2,25), enfim a harmonia entre o primeiro casal e todas as criaturas constituíam o estado chamado 'justiça original' " (§ 376).
"O domínio do mundo que Deus concedera ao homem desde o início, realizava-se, antes do mais, no homem mesmo como autodomínio. O homem era íntegro e ordenado em todo o seu ser, porque livre da tríplice concupiscência (cf. Jo 2,16) que o sujeita aos prazeres dos sentidos, à cobiça dos bens terrestres e à autoafirmação contrária aos imperativos da razão" (§ 377).
"O sinal da familiaridade com Deus é que Deus o colocou no jardim (cf. Gn 2,8). Lá vivia o homem para cultivar o solo e guardá-lo (cf. Gn 2,15); o trabalho não é uma pena (cf. Gn 3,17-19), mas a colaboração do homem e da mulher com Deus para o aperfeiçoamento das criaturas visíveis" (§ 378).
"Toda essa harmonia da justiça original, prevista para o homem segundo o desígnio de Deus, foi perdida pelo pecado de nossos primeiros pais" (§ 379).
O texto acentua a realidade do pecado original, que vem a ser uma verdade essencial da fé:
"A doutrina do pecado original vem a ser, por assim dizer, o 'reverso' da Boa-Nova de que Jesus é o Salvador de todos os homens; todos têm necessidade de salvação, salvação que é oferecida a todos graças a Cristo. A Igreja, que tem o senso de Cristo (cf. 1ICor 2, 16), bem sabe que não se pode tocar na revelação do pecado original sem afetar o mistério de Cristo" (§ 389).
"O relato da queda (Gn 3) utiliza uma linguagem figurada, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que ocorreu no inicio da historia do homem (cf. Constituição Gaudium et Spes 13 § 1). A Revelação nos dá a certeza, de fé, de que toda a historia humana é marcada pela culpa original livremente cometida por nossos primeiros pais" (§ 390).
Em suma, o tema "pecado original" não é da alçada da razão filosófica nem da arqueologia, mas pertence estritamente ao âmbito da fé. Por conseguinte, só pode ser elucidado a partir das fontes da fé, que o Catecismo transmite autenticamente ao Povo de Deus.


O Conteúdo do Catecismo





Esse texto faz  parte de um artigo encontrado em 
http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=476 

Dom Estêvão Bettencourt

O texto oficial, que é o francês, estende-se por 650 páginas, com 2863 parágrafos, 3.000 citações da Bíblia, dos Padres da Igreja e dos Concílios (1.000 referências ao Concílio do Vaticano II) e 68 citações de dizeres de Santos e Santas (S. Francisco de Assis, S. João Maria Vianney, S. Teresinha de Lisieux, S. Rosa de Lima...).
A obra compreende quatro Partes:
1) A Profissão de Fé (o Credo): 39% do livro;
2) A Celebração da Fé (Sacramentos e Liturgia): 23% do livro;
3) A Vivência da Fé (Moral): 27% do livro;
4) A Fé feita Oração (Oração em geral e Pai-Nosso): 11% do livro.
Estas quatro Partes correspondem aos passos dados na antigüidade para instruir os catecúmenos: havia a Traditio Symboli (a entrega do Símbolo de Fé ou do Credo), a Catequese do Decálogo (Moral, a transmissão do Pai-Nosso) e a mistagogia (iniciação) nos Sacramentos. Tais eram as etapas da Iniciação Crista nos séculos IV/V.
A ordem dessas quatro Partes tem seu significado ou mensagem: após o Credo vem não a Moral, mas os Sacramentos, pois a Ética cristã não é senão uma expressão da fé professada e da graça recebida nos sacramentos; é uma Moralidade sacramental.
Essas quatro Partes se dispõem em dois pares: Fé + Sacramentos (o que Deus fez por nós) e Moral + Oração (o que devemos fazer em resposta — viver e orar). Como dito, aproximadamente 2/3 do Catecismo ou 62% correspondem a Fé e Sacramentos, e 1/3 aproximadamente (38%) correspondem à resposta do homem. Há, pois, uma tônica sobre a obra de Deus; ao Senhor compete o começar e o levar a termo a obra da nossa salvação; afirma-se assim o primado da graça, em antítese a qualquer posição pelagiana.
A linguagem dessa obra é muito significativa e de fácil compreensão. Argumenta solidamente sem cair na erudição reservada a poucos. O povo de Deus pode regozijar-se profundamente por dispor atualmente deste Compêndio de Fé, referencial precioso para dirimir dúvidas. Quem deseja ir diretamente a determinado assunto, tem dois grandes índices finais: um de citações (da S. Escritura, dos Símbolos de Fé, dos Concílios Ecumênicos, dos Concílios e Sínodos regionais, dos documentos pontifícios, dos documentos da Igreja, do Direito Canônico, da Liturgia, dos escritores eclesiásticos); o outro índice é o de temas. Os dois perfazem um total de cem páginas na edição francesa.
Cada artigo da obra, compreendendo uma dezena de páginas aproximadamente, tem no seu final um resumo dos principais pontos explanados.
O Catecismo nada traz de novo (nem o podia trazer) em matéria essencial de fé e de Moral, mas expõe as clássicas verdades e normas, aplicando-as às realidades de hoje.
Nas páginas subseqüentes poremos em relevo a posição assumida pelo Catecismo, fiel às fontes da fé, frente a questionamentos que perturbam os fiéis. Infelizmente a imprensa deturpou o conteúdo desse Compêndio, fixando-se unicamente sobre aspectos de Moral para ridicularizá-los.